sexta-feira, 27 de março de 2015

Respeite seus pais



03/04/1912

Entro em meu quarto bufando de raiva e ódio; sei que para alguém de minha idade não é normal sentir isso, mas ainda assim eu sinto... Quem ela pensa que é, gritando comigo daquele jeito? Ela se acha a dona da razão, quer sempre estar certa e sempre me dar ordens. Meu pai sim era um grande homem, mas desde que ele morreu ela não faz outra coisa senão mandar em mim! Queria fugir, não vejo a hora de completar a maioridade e sair daqui!

06/04/1912

Bah! Odeio escrever esse diário, mas meu professor me disse que seria uma boa ideia colocar meus pensamentos em algum lugar. Que raiva! Hoje ela me disse para ajudar nas tarefas domésticas; ela não vê que eu estudo e trabalho meio período? O que mais ela quer de mim?

08/04/1912

HAHAHA, ela me disse que me ama e que se preocupa comigo, que só quer o meu bem. Pro inferno com isso! A única coisa que eu quero é sair um pouco da presença dela... Vou até a biblioteca ler alguma coisa, afinal, lá deve ser melhor do que aqui.

09/04/1912

Legal, encontrei um livro sobre espíritos; tem bastante coisas aqui, até um ritual para libertar almas condenadas. Minha mãe diz não querer que eu leia isso; tomou o livro de mim e o escondeu na estante. Eu sei que ele está lá... É só uma questão de tempo até ela ir as compras, e me deixar aqui sozinho.

10/04/1912

Como sempre me deixei levar pela empolgação, ontem fiz um ritual do livro... No livro não dizia o que ele faz, apenas tinha o titulo de ”Criança Triste”; envolvia velas, riscos no chão, essas coisas... Mas foi apenas perda de tempo: a única coisa que consegui foi outra bronca dela que, quando chegou das compras, me viu com o livro em mãos e me fez limpar os riscos do chão! Megera!

11/04/1912

Droga, ela devolveu o livro para biblioteca! Tudo bem... Aquela coisa nem funcionava mesmo, não fiz nada de mais hoje, então não tenho muito que escrever aqui... Deixei leite fervendo no fogão, um copo de leite sempre me ajuda a dormir.

12/04/1912

Não acredito, ela tomou meu leite ontem à noite! Sabia! Ela nunca me enganou com aquele olhar de boazinha... Mas não a confrontei por isso, afinal, quando eu fui ver, o leite não estava mais lá. Sei que ela bebeu, e acho que foi por falta do leite que eu não consegui dormir bem ontem à noite.

17/04/1912

Chega! Já faz cinco dias que ela está roubando meu leite! Vou tirar satisfações com ela, afinal, já faz 5 dias que estou tendo pesadelos... acredito que seja por causa da falta de leite.

18/04/1912

Estranho... Ontem à noite ela jurou que não tomou o leite que fervia... Sei que ela está mentindo, mas é como se uma parte de mim acreditasse nela... Mas tenho problemas maiores agora: tem um buraco na parede que faz com que um ar muito gelado chegue ao meu pescoço durante a noite. O estranho é que durante o dia eu não encontro esse buraco... Amanhã eu procuro melhor, agora deixa eu ir preparar o meu leite...

20/04/1912

Já faz um dia que não escrevo nada, ainda estou tentando esquecer ou entender o que aconteceu na noite do dia 18... Mais uma vez beberam meu leite... e minha mãe não estava em casa! Me assustei com a situação mas logo me convenci de que algum gato deve ter entrado aqui e tomado o leite. Ao me preparar para dormir senti falta da segurança que a presença daquela mulher me faz sentir, mas minha mãe teve que dormir fora está noite devido a negócios... Melhor pra mim, a presença dela me dá segurança, mas também me dá raiva. Mas então o inexplicável aconteceu: aquele vento gelado no meu pescoço me fez acordar, e, ainda meio sonolento, rolei na cama e procurei pelo interruptor na parede. Ao acender a luz o vento gelado parou, e eu, olhando para o lado, vejo uma criança pequena, de cabelos loiros e olhos com bordas brancas e o centro negro... Com um singelo bigode de leite em seu rosto, ele se aproxima de mim e fica tão próximo que duas gotas de seu bigode de leite caem em minha testa (o leite está fervendo... mas nem dou atenção); não sinto medo, apenas um grande arrepio que percorre a minha coluna. Ao chegar perto de meus ouvidos ele disse: “Se você não a quer, vou pegar ela pra mim...”. Era uma voz tão inocente que chegava a assustar... Então me acordei: tonto, me levantei e fui até o banheiro; ao me olhar no espelho vejo pequenas queimaduras na minha testa, que ainda estava um pouco úmida. Passei o dedo na testa e provei... Tinha gosto de leite!

21/04/1912

Finalmente estou tranquilo, minha mãe volta hoje... melhor não contar a ela o que aconteceu; afinal, não quero que ela se preocupe comigo, quero apenas a sua presença para me dar segurança... finalmente vou ter coragem para dormir de novo. Venho tendo muitos pesadelos, em que estou sozinho em uma casa abandonada, onde aquela criança aparece e começa a rir de mim.

22/04/1912

Minha mãe não chegou ontem... Talvez ela deva ter se atrasado com os negócios, mas sei que ela deve de chegar em breve...

30/04/1912

Já faz nove dias que ela deveria ter chegado... ela só está um pouco atrasada. Consegui voltar a dormir, mas venho tendo muitos pesadelos onde estou sozinho em uma casa abandonada, e aquela criança aparece e começa a rir de mim. Sinto falta da minha mãe.

31/04/1912

Recebi hoje uma carta de uma tia, ao abrir a carta não consegui conter as lágrimas e entrei em desespero: minha mãe havia cometido suicídio! Na carta minha tia dizia para pegar minhas coisas e ir morar com ela... Sentei em um canto e comecei a chorar. Me senti responsável por ela cometer tal ato, agachado, balançado pra lá e pra cá na parede, até que sem querer bati com a cabeça na mesinha do corredor enquanto estava sentado, de um fundo falso caiu um livro, o livro dos espíritos. Junto com ele um bilhete, era a letra da minha mãe dizia:

Querido Luiz,

Saiba que se faço isso é por que te amo, mesmo que você não de valor a esse amor eu sempre te amarei, já há dias venho sendo atormentada por uma estranha criança que só existe em meus sonhos, uma criança que eu sei que é real, eu sinto. Ela me diz que vai te machucar, a menos que eu parta com ela, e eu prefiro morrer a te ver machucado, não posso fazer isso perto de você e já suportei tempo demais esse espirito que me segue em sonhos, sempre vigiarei por ti meu filho.
Com amor, Mamãe. E no final do bilhete havia uma escrita quase que ilegível. Dizia: ELA ESTA COMIGO AGORA.

- 15/04/2012



Já faz um século que estou aqui sentado, esperando que minha mãe retorne... acho que ela não vai retornar... preciso de uma mãe, estou muito triste... Agora, me diga: como anda seu relacionamento com sua mãe? Vocês brigam muito? Se você não a quer...

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Fonte: Predomínio do Terror

Um comentário:

  1. Uau!! Não vou mentir, fiquei gelado no fim da história. Muitas creepypastas são bobagens, mas algumas são pra Stephen King nenhum botar defeito. Ainda bem que me dou tão bem com minha mãe! rssss

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