quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Creepypasta: A garota

Aquele entardecer estava perfeito para o rapaz de 22 anos que havia acabado de se mudar. A pequena cidade de Burton Hill era como qualquer outra cidadezinha americana: calma, agradável, com uma vizinhança amorosa . Tudo nela era perfeito, e isso fez com que Mitchel comprasse uma casa simples, embora charmosa.

A casa era branca por fora, totalmente de madeira, havia uma janela no segundo andar, era o quarto que o rapaz escolheu para si, uma cozinha agradável, e uma sala de estar imensa. Era realmente encantadora. Mitchell estava terminando de organizar seus móveis e outros pertences quando ouve algumas batidas leves na porta, ele abre a e vê que é sua namorada Emilly.

Emilly Bleic, uma jovem de 21 anos, cabelos loiros, olhos verdes, e um corpo mediano, uma garota realmente bonita.

Depois de alguns minutos de conversa, a garota decide ir embora, estava começando a escurecer, e o céu indicava que iria chover em breve. Exatamente como parecia, uma forte tempestade começou a desabar, resultando em uma queda de energia, Mitchell acendeu inúmeras velas porque era pobre e não tinha lanterna e as espalhou pela casa, o rapaz sentia certo desconforto em ficar sozinho no escuro.

Era por volta de 23h quando Mitchell ouve batidas na porta, um pouco pesadas e desesperadas, por um instante o rapaz pensa se deve realmente abrir a porta, já que está tão tarde, mas talvez possa ser alguém que precise de ajuda, então ele decide abrir. Assim que a porta é aberta, Mitchell dá de cara com uma moça, sua pele é morena clara, seus olhos castanhos, os cabelos longos e negros com as pontas levemente avermelhadas, a garota está totalmente encharcada, usando um short curto jeans e uma regata branca, completamente suja.

-No que posso te ajudar? – ele pergunta temeroso.

-Eu estou sendo perseguida... Por favor, me deixe entrar? – ela pede.

-Como assim perseguida?

-Eu estou perdida há algumas horas, e quando começou a chover um homem de capa começou a me perseguir... Por favor, estou com medo...

Compadecido com a garota que parece apavorada, Mitchell sorri e dá espaço para a mesma entrar, ela sorri em agradecimento.

-Qual é seu nome? – ele pergunta gentilmente enquanto estende uma toalha para ela.

-Lucy. Não me lembro do meu sobrenome.

-Você tem amnésia?

-Eu sofri um acidente de carro há alguns dias. – ela sorri fraco.

-E Quantos anos têm?

-Dezoito.

-Fique á vontade, pela manhã chamaremos a policia. –Mitchell sugere e a garota aceita.

Mitchell conversou algumas coisas com a moça até que se rendeu ao sono, diferente de outras vezes em que sonhou coisas comuns, ele teve horríveis pesadelos, um homem sendo decapitado, o sangue jorrava em si, alguns choros de bebê até que a cena muda. Ele está em frente á uma casa, onde um vulto mata uma mulher, um homem e depois coloca fogo em duas menininhas gêmeas, ele sentiu o cheiro da carne queimando, ouviu os gritos e quando pensou que não poderia piorar, sentiu algo segurar seu pé, e quando ele olhou para o chão, viu uma pessoa deformada, sem a metade de baixo do corpo, a “pessoa” se arrastava e um de seus olhos estava pendurado, o sangue jorrava do lugar onde deveria ser suas pernas, ele sussurrava algo como “Nunca a irrite, e nunca lhe diga não.” Aquilo sussurrava isso várias vezes com uma voz carregada de dor, aquela cena se repetiu por longos cinco minutos até que “aquilo” começou a engasgar com seu próprio sangue, Mitchell sentiu-se enojado e acabou por vomitar, sentiu-se zonzo, aos seus pés a criatura definhava, e várias outras apareciam, se aproximavam dele e começavam a arrancar pedaços de sua carne, a dor era insuportável, e quando acho que iria finalmente morrer, ele acordou pela manhã e viu que sua casa estava vazia, ele limpou o suor, e notou a ausência de Lucy. Ele olhou em todos os cômodos para saber se a encontrava, mas nada, com o pensamento de que a garota foi embora, ele decide esquecer.

Um pouco mais tarde ,Emilly volta á sua casa, Mitchell conversa animadamente com a garota e não menciona o fato de ter abrigado outra pessoa em sua casa. A Loira sobe para o quarto do rapaz á fim de checar se ele arrumou tudo corretamente, até que ela vê em seu guarda roupas, um ursinho de pelúcia branco, encharcado de lama e um pouco de algo que parece ser sangue.

-Oque é isso Mitchell?

-Eu não sei... Não estava ai...

-Tem certeza? –pergunta desconfiada e quando não vê nem um pingo de mentira nos olhos do rapaz, ela se dá por vencida. –Vou jogar isso fora. –ela marcha para fora jogando o pequeno urso no lixo, indo para sua casa logo depois.

Depois desse episodio, Mitchell decide descansar um pouco, já que dormira mal devido aos pesadelos. Um pouco antes de pegar no sono, Mitchell sente aquela sensação de ser observado, ele abre seus olhos e não vê nada, alem de seu quarto, novamente ele tenta dormir. A Sensação não o abandona, e novamente Mitchell sentia-se sendo observado, ele abre seus olhos mais uma vez e não vê nada além de seus móveis e seu guarda roupas com a porta entreaberta. Mitchell se levanta e fecha a porta do móvel, desistindo de sua soneca. O rapaz coloca os sapatos e se prepara para sair, quando ele ouve passos e batidas fortes, intrigado ele pega um taco de beisebol e sobe as escadas lentamente, olha cada cômodo com cuidado e não vê nada, pensando ser algo de sua cabeça, ele sai de casa. Ao chegar a seu jardim, Mitchell sente aquela mesma sensação de ser observado, vira-se novamente para sua casa e vê uma silhueta na janela de seu quarto, imediatamente ele volta para lá correndo, e não vê nada além do guarda roupas entreaberto, confuso, Mitchell se aproxima do móvel e abre a porta, seu olhar congela nas palavras que pareciam ter sido feitas á unhas. “Nunca a irrite, e nunca lhe diga não.” Assustado o rapaz se põe a correr para fora da casa e acaba por esbarrar em Tommy, o amigo de Emilly que lhe recomendou a casa.

-Oque foi Cara? Parece que viu um fantasma.

-Tommy, tem algo errado...

-Oque foi? Está me assustando.

-Eu ouvi passos e algo no guarda roupas...

-Se acalma Cara, vamos lá ver se tem algo errado aqui...

Juntos os dois entram na casa e inspecionam cada cômodo minuciosamente.

-Viu? Não tem nada aqui.

-Mesmo assim, ainda me sinto estranho aqui... De quem era essa casa?

-Não sei direito, não moro aqui há muito tempo, então aconselho que vá até a biblioteca da cidade, eles tem vários registros... – Mal Tommy termina de falar e Mitchell corre para fora em direção á biblioteca de Burton Hill.

Tommy observa o amigo correr desesperadamente, o ruivo suspira e se prepara para sair, até que ouve passos na escada. Quando ele se vira, encontra uma moça, é Lucy, a garota que Mitchell ajudou na noite anterior.

-Quem é você? – Ela não responde, apenas ri.

-Me deixar ir para sua casa? – ela pede, Tommy confuso com a garota simplesmente ri.

-Claro que não... Nem te conheço... Ficou maluca? – Ela para de rir, levanta a cabeça, onde seus olhos estão vermelho sangue, seu sorriso macabro está estampado, e uma faca está em sua mão.

-Nunca me irrite... E Nunca me diga não. – É a ultima coisa que Tommy ouve antes de Lucy pular sobre si, enfiando a tesoura com violência em sua garganta. Ela observa o sangue jorrar, e logo começa a enfiar o objeto pontiagudo nos olhos e no peito do rapaz. Após retalhá-lo, ela senta na ponta da escada, á espera de Mitchell.

O moreno chega ao edifício da biblioteca, e assim que vê um velho na portaria corre até ele.

-Oi, eu gostaria de saber tudo sobre a casa na rua Nothgran, numero 589. – Fala rapidamente.

-Aah, eu conheço bem aquela casa. – O velho suspira. – Não há mais jornais daquela época meu filho...

-Qual época?

-Há mais ou menos 50 anos, morava uma família naquela casa... A Familia Milles... Eram uma família tranquila, até que a mãe, Kelly Milles, adotou uma garotinha... Lucy Milles era uma menina séria, sem expressão, mas ainda assim muito bonita e quando cresceu, era mais bonita ainda... Quando a menina fez 12 anos, atacou uma professora na escola... Só porque a professora lhe disse não... Os pais ficaram furiosos e deram uma surra na menina... Até que ela matou a mãe, o pai e as duas irmãs gêmeas na sala de jantar.

-Oque aconteceu depois? – Mitchell estava em pânico, o pesadelo que teve, eram na verdade visões do que aconteceu naquela família... A Sombra... Era Lucy.

-Bom, procuraram a garota por dias e até anos, até que a policia do Texas a prendeu... Tem uma fita, gostaria de ver? –o rapaz assentiu, os dois entraram em uma sala especial onde o velho bibliotecário colocou o vídeo, era curto, apenas Dez minutos, mostrava a garota de 18 anos, ela estava suja, com shorts e camiseta regata. O médico perguntava “Porque matou seus pais?” e ela respondia. “Porque eles me irritaram e me disseram não.” O medico perguntou de onde ela tira tanta força para matar as pessoas e ela olha fixamente para a câmera. “Eu tiro da Shadow... Ela é o demônio das sombras... O Demônio dentro de mim.” O médico se surpreende ela continua falando. “Eu nasci com ela... A Shadow aparece quando me irritam e quando me dizem não.” Depois disso corta para um estática e quando a imagem volta, é os olhos vermelhos da garota, ela escreve na lente da câmera “Eles me irritaram” e depois disso, tudo apaga. –Acho que tenho um recorte daquela época... – O velho mexe em alguns papéis e encontra um jornal antigo, com a foto da garota em seu quarto.

-Esse Guarda Roupas... – Mitchell visivelmente assustado.

-Ah, isso? – O velho suspira. – Algumas pessoas dizem que Lucy ou Shadow, precisa de permissão para entrar na sua casa, e quando você permite, ela se esconde no fundo falso do guarda roupas esperando o momento em que você irá irritá-la ou dizer não... –Mitchell assustado procurando de todas as maneiras um jeito de acreditar que aquilo tudo era mentira.

-Mas... Ela deve estar morta... Já faz tempo... – Ele ri nervosamente, o velho o encara.

-Demônios não morrem meu filho eles só perdem a vida. – A voz macabra do homem ecoa seguida de risadas, o rosto do homem começa a desfigurar, em volta, várias coisas como almas estripadas aparecem das paredes. Mitchell olha em volta, procurando uma saída, sua namorada Emilly entra no local, em ambos os olhos da loira estão fincadas tesouras, enquanto as tripas dela escorrem para fora de seu organismo, até que ela finalmente falece. O rapaz horrorizado dá um passo para trás e sente-se sendo abraçado, uma voz fria e assustadora se faz presente.

-Nunca me irrite... Nunca me diga não.

Atualmente, Mitchell Thompson se tranca em sua casa e observa a moça de olhos castanhos dentro do guarda roupas, ele a fita e move seus olhos para a corda pendurada.

-Vai se matar Mitchell?

-Sim. – Dito isso ele se enforca, e a garota sorri para a nova alma que conseguiu atormentar.

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